A doença do atirador da Noruega

Já escrevi alguns posts sobre o atirador norueguês, Anders Behring Breivik, 32 anos, responsável pela morte de  77 pessoas naquele ato terrorista ocorrido em julho do ano passado.

Desde que foi preso, o assassino confesso já foi avaliado por alguns psiquiatras e tem recebido, pelo que acompanhamos nos jornais, vários diagnósticos psiquiátricos.

É natural que atos tão absurdos, hediondos e tão fora do padrão, sejam difíceis de ser assimilados em nossa ideia de racionalidade e o que nos resta é chamar  tal ato de loucura. Daí nos sentimos mais tranquilos e o mundo parece melhor habitável e chega a fazer algum sentido se o que justifica os atos de um Anders Behring Breivik e de uma Elise Matsunaga, para citar a esquartejadora, é uma doença mental.

Minha grande preocupação é o preconceito que tais atribuições possam gerar aos verdadeiros pacientes com transtorno mental. Não que não haja pessoas que, portadoras de transtorno mental e com sintomas ativos, não cometam algum tipo de violência, de crime. Mas isso ocorre quando elas não estão sendo tratadas e eu lhes digo que é bem mais provável que uma pessoa sem qualquer perturbação mental cometa algum ato de violência contra nós do que alguém com transtorno mental.

Enfim, os especialistas parecem estar chegando à conclusão de que Breivik não tem qualquer transtorno psicótico, sendo assim, não tem esquizofrenia paranoide, como outrora se pensou. Segundo as novas informações, apesar dos seus pontos de vista extremistas a respeito do multiculturalismo europeu, de suas inclinações nazistas e anti-islâmicas, que o levaram ao massacre dos membros do Partido Trabalhista em Oslo e da Ilha de Utoya, não se pode dizer que ele seja doente. Breivik estava totalmente ciente dos seus atos e sabia a que consequências eles poderiam levar.

Isso implica que ele deve ser julgado a uma sentença de prisão que, de acordo com as leis norueguesas, deve fazê-lo ficar atrás das grades por no máximo 26 anos.

A maldade humana que se nos aparece assim de forma tão crua e absoluta faz-nos lembrar as figuras mais execráveis do Nazismo, nenhum deles doente mental.

É isso. Nada de esquizofrenia, nada de transtorno mental, apenas a pura maldade.

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