Alívio para as mães com depressão

Maternidade - Eliseu Visconti, 1906Tristeza e desânimo persistentes, cansaço, angústia, perda de prazer, choro fácil, insônia. Esses são os sintomas clássicos do transtorno depressivo, que ganha cada vez mais a atenção do público e faz com que mais e mais pessoas consigam identificar a depressão em si ou em seus conhecidos, assim como são capazes de intuir uma gripe, uma pneumonia, ou de identificar um nódulo mamário através do auto-exame.
A depressão em mulheres que são mães não é diferente daquela que acomete outros grupos populacionais, mas, justamente o fato de ser mãe, em especial de crianças pequenas e adolescentes, faz com que as queixas que manifestam tenham características peculiares. Ademais do baixo astral e do desânimo, elas costumam relatar que não têm mais paciência com os filhos, que se irritam muito com eles, que tem-lhes respondido de maneira grosseira, e mesmo que, num momento de muito nervosismo, chegaram a bater neles. Acrescente-se a esse comportamento a culpa por estar agindo assim com os rebentos e tem-se uma combinação que só ajuda a piorar a depressão.
Não é incomum que, diante das atitudes grosseiras da mãe, da negligência, da falta mesmo de carinho que já não lhe chega mais da mãe, os filhos também venham a desenvolver sintomas depressivos,  algumas vezes abrindo um quadro completo de depressão.
A doença mental pode até ser diagnosticada apenas num determinado indivíduo, mas o que se costuma ver é que a família como um todo acaba adoecendo junto, se não com os mesmos sintomas do quadro psiquiátrico original, mas com um sofrimento causado pela dificuldade de compreensão do quadro, pela sensação de impotência, de não saber o que fazer para ajudar, e pelas consequências das alterações de comportamento da pessoa doente na rotina familiar.
Tratando a depressão na mães
Estudos passados já demonstraram que quando os sintomas de depressão da mãe desaparecem, após o tratamento, os sintomas depressivos dos seus filhos também se reduzem.
Um estudo mais recente, que acaba de ser publicado, comprova esse benefício cruzado do tratamento da depressão em mães, e acrescenta mais algumas informações interessantes.
Os pesquisadores analisaram 76 mães depressivas e 135 filhos, com idades entre 7 e 17 anos, buscando verificar quais antidepressivos utilizados pelas mães poderiam conduzir a menos sintomas psiquiátricos nos seus descendentes. O lado materno tomou ou escitalopram (Lexapro, Exodus e outros), ou bupropiona (Ziban, Wellbutrin e outros), ou uma combinação dos dois, por 12 semanas. Os sintomas psiquiátricos nos filhos foram acessados antes do início do tratamento medicamentoso e ao fim do estudo.
Ainda que as mães tenha consigo a remissão da doença nos três diferentes grupos avaliados, foi o grupo que tomava apenas o escitalopram que apresentou a melhora mais significativa do ponto de vista estatístico, tanto nas mulheres como na sua prole, efeito não observado com o uso de bupropiona ou do tratamento combinado. Além do mais, as mães que estavam tomando apenas o escitalopram tinham mais chance de relatar uma melhora na sua capacidade de ouvir e conversar com os seus filhos ao longo das 12 semanas do estudo. Por outro lado, os filhos das mães do grupo do escitalopram relataram que as suas mães estavam mais atentas e cuidadosas após o tratamento.
Esses achados, ressaltam os pesquisadores, “enfatizam a importância do tratamento ativos das mães com depressão, que pode ajudar tanto a elas como os seus filhos”. Os autores do estudo concluíram que os antidepressivos que também têm forte atuação nos sintomas de ansiedade e irritabilidade (como é o caso do escitalopram), podem ser necessários para se avaliar corretamente o impacto da melhora cínica nas mães no bem-estar dos seus filhos.
Referência
Weissman MM, Wickramaratne P, Pilowsky DJ, Poh E, Batten LA, Hernandez M, Flament MF, Stewart JA, McGrath P, Blier P, Stewart JW. Treatment of Maternal Depression in a Medication Clinical Trial and Its Effect on Children. Am J Psychiatry. 2015 Jan 23:appiajp201413121679.
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