Antipsicótico injetável para tratar a esquizofrenia

A esquizofrenia é uma doença mental grave, que evolui com surtos psicóticos recorrentes e com o curso, em geral, deteriorante, que, entretanto, pode ser evitado com o tratamento adequado, cuja base é a utilização de medicamentos antipsicóticos. Estas medicações atuam combatendo os sintomas psicóticos de um episódio agudo de doença e, usados de maneira contínua, evitam as recaídas dos sintomas.

Entretanto, muitos pacientes não utilizam a medicação de maneira correta, deixando de tomar algumas doses ou mesmo não tomando de maneira alguma a medicação, o que, por sua vez, pode contribuir para um pior prognóstico clínico.

A falta de adesão ao tratamento é bastante comum na esquizofrenia e ela está associada a alguns fatores como o abuso de substâncias, a falta de insight, os efeitos colaterais dos antipsicóticos, a falta de eficácia do tratamento, além de regimes de tratamento com maior número de doses ao longo do dia.

Se há a suspeita de que o paciente não esteja tomando direito os remédios (por exemplo, quando estamos prescrevendo as doses adequadas das medicações mas ele não está melhorando), existe a alternativa de prescrevermos os antipsicóticos de depósito ou de longa ação. O fato de ser de longa ação significa que o seu efeito é prolongado e pode durar semanas, por isso a aplicação das doses do remédio pode ser feita com uma injeção intramuscular a cada 2, 3 ou 4 semanas ou um mês.

Essas formulações de depósito já existem desde os anos 60. Entre os exemplos de antipsicóticos de longa ação que já estão por aí há muito tempo temos o enantato de flufenazina (Flufenan), o zuclopentixol (Clopixol Depot) e o decanoato de haloperidol (Haldol Decanoato). O grande problema que temos na prática clínica é que há poucas opções de antipsicóticos de depósito em relação aos antipsicóticos orais e que a maioria das formulações de longa ação traz consigo a possibilidade de efeitos colaterais bastante desagradáveis, como a rigidez dos músculos, os tremores, o que os pacientes costumam referir como “impregnação” ou “robotização”. Não é que todos os pacientes vão ter esses efeitos colaterais,  a reação é sempre individual, depende de cada organismo. Há pacientes que ficam robotizados com doses muito baixas desses antipsicóticos e há outros que não sentem nenhum problema em tomar doses mais altas. Infelizmente, não dá para saber de antemão quem vai ter efeitos ruins ou não.

Atualmente, contamos também, desde pelo menos um ano e meio atrás, com o novo antipsicótico palmitato de paliperidona (Invega Sustenna), que ele é antipsicótico de segunda geração, ao contrário dos mencionados acima, que são de primeira geração, quer dizer, são mais antigos. O fato de um antipsicótico ser antigo não quer dizer que é pior que um mais novo, mas quer dizer que a probabilidade de causar efeitos colaterais é bem menor. Assim, o palmitato de paliperidona é tão bom quanto os demais antipsicóticos, mas não tem o inconveniente de causar  impregnação (ou a provoca muito mais raramente). Se imaginamos que a esquizofrenia é uma doença que exige o uso constante de medicação, é bem melhor que se tome uma medicação que não provoque efeitos adversos, afinal, não queremos substituir a doença que leva aos delírios e às alucinações pela doença que deixa a pessoa impregnada e tão incapaz de realizar as atividades do dia a dia como se estivesse psicótica.

Dessa forma, o palmitato de paliperidona vai servir especialmente para os pacientes que não aderem ao tratamento e que têm efeitos colaterais desagradáveis com os antipsicóticos mais antigos.

A má notícia é que o palmitato de palipedona é uma medicação muito cara e são pouco os que podem arcar com os seus custos. Esse antipsicótico não está disponível no SUS, portanto, não pode ser retirado nas farmácias dos postos de saúde ou nas Farmácias de Alto Custo. Em São Paulo, o único antipsicótico de depósito disponível da rede pública é o decanoato de haloperidol.

Não estou fazendo propaganda para o laboratório que produz o palmitato de paliperidona e até contesto a escolha do Governo de privilegiar a distribuição nas Farmácias de Alto Custo das medicações mais caras, como a ziprasidona, em detrimento de outras que são tão eficazes quanto, mas bem mais baratas, como a amisulprida. Mas seria muito importante se os pacientes com esquizofrenia pudessem contar com o subsídio do Governo para adquirir essa nova medicação de depósito.

 

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6 Comments

  1. Susete Schmitt 30 de março de 2015 at 10:24

    Tenho marido que atualmente está internado em um período de 8 dias com esquizofrenia.
    O médico psiquiatra iniciou a medicaçaõ do invega suspenna via muscular e por isso vim pesquisar para conhecer e saber mais do medicamento e outras possibilidades de ajuda e compreençaõ desta doença.
    Gostaria se possível que me mandassem novas sugestões de pesquisas ,avanços dentro da esquizofrenia.
    Brigada
    Susete Schmitt

    1. Dr. Deyvis Rocha 5 de abril de 2015 at 21:58

      Olá, Susete,

      Se o seu marido tem problemas em tomar as medicações todos os dias, eu acredito que o Invega Sustenna é uma ótima opção terapêutica para ele.

      Felicidades.

  2. MARIA CLAUDIA MACHADO BARBOSA 26 de julho de 2016 at 21:30

    Meu filho e dependente químico em Cocaína, por acaso um amigo me falou que há um tipo de medicamento para O tratamento de esquizofrenia que pode levar a cura dessa dependência

  3. Yeda Rangel Chavão 8 de outubro de 2016 at 20:14

    Minha filha tem bipolaridade e esquizofrenia ela pode usar este medicamento injetáveis?

  4. Enila 22 de outubro de 2016 at 23:02

    Meu noivo teve um surto no final de agosto e foi internado, passou 45 dias na clínica e retornou bem, estava tomando o Aristab 15mg e o Depakene, ele tem transtorno esquizo-afetivo. Passou alguns dias tranquilo e normal, mas teve uma briga com o irmã, foi agredido e voltou a surtar… Está há alguns dias em surto, ontem o psiquiatra passou a Invega Sustenna pois acredita que ele está deixando de tomar os remédios, a injeção vai chegar em alguns dias, há chances dele sair do surto só com a invega, sem ser internado novamente?

  5. Tânia 22 de novembro de 2016 at 01:18

    Olá meu filho tomou por algum tempo olanzapina que lhe causava dores musculares e com o tempo abandonou o tratamento e as consultas médicas. Será que alguma dessas medicações injetáveis o ajudará?