Antipsicóticos – Sobre o diagnóstico precoce da esquizofrenia – Parte 2

Após a pessoa que está sofrendo com a perturbação mental caracterizada pela presença de delírios e alucinações ser levado ao profissional adequado para a avaliação, isto é, o psiquiatra, ela passa então a ser paciente.

Convenhamos, para muita gente, essa é uma grande barreira a ser transposta, a ida a um psiquiatra.

O principal tratamento para a esquizofrenia é o antipsicótico. Não é o único tratamento, mas até hoje não se conhece melhor forma de tirar alguém de um surto psicótico. Há vários tipo s de antipsicóticos, desde que o primeiro foi produzido, em 1952 – alguém se dá conta de que faz tão pouco tempo que temos coisas tão essenciais para as nossas vidas que nunca imaginamos que o mundo tenha existido sem elas? Penicilina, anestesia, insulina, anti-hipertensivos, antipsicóticos? Se não é a melhor coisa do mundo descobrir-se portador de uma doença crônica, antigamente isso era bem pior!

Há os antipsicóticos de primeira geração, entre eles o haloperidol, talvez o mais conhecido entre todos. O laboratório Janssen, quem primeiro o fabricou, denominou-o no comércio como Haldol e é por isso que hoje em dia chamamos todos os haloperidois, mesmo os de outros fabricantes, de Haldol, tal a sua fama. Quem já precisou tomar antipsicótico há alguns anos não esquece do Amplictil, que e a clorpromazina, também conhecido pela cor característica do comprimido, laranja. Esses antipsicótios são chamados de os de primeira geração por uma questão temporal, porque foram os primeiros a ser fabricados (Orap, Clopixol, Semap, Neozine, são alguns dos nomes de fantasia de antipsicóticos de primeira geração). O que essas medicações também têm em comum é que elas produzem um tipo de efeito colateral característico em algumas pessoas, em maior ou menor grau: lentificação dos movimentos, tremores, rigidez da musculatura, que pode deixar o corpo como que “pesado”.

A partir dos anos 70, com a descoberta da clozapina, um remédio que tem as mesmas propriedades dos antipsicóticos de diminuir e até acabar com os delírios e as alucinações, mas que não tem efeitos colaterais motores, uma nova geração (a segunda geração) de antipsicóticos foi desenvolvida, tendo como base a clozapina. Como não provocavam os efeitos colaterais típicos dos demais antipsicóticos, eles foram denominados atípicos, justamente para se diferenciarem dos que tipicamente produziam efeitos adversos sobre a musculatura. Assim é que temos os antipsicóticos típicos ou de primeira geração e os atípicos (como a risperidona, a olanzapina, a quetiapina, a própria clozapina) ou de egunda geração.

A verdade é que estudos têm demonstrado que o que diferencia essas medicações é o seu perfil de efeitos colaterais, pois todos eles basicamente a mesma eficácia, isto é, ajudam a fazer com que a pessoa saia do surto, para de ouvir vozes, deixe de ter pensamentos de perseguição.

A única medicação que se diferencia, nesse caso é a clozapina, que é o melhor antipsicótico entre todos, que funciona mesmo em casos em que os outros remédios não melhoram o paciente. Mas isso é assunto para um outro post.

Por enquanto, quero somente enfatizar a necessidade de a pessoa com surto ter a oportunidade de ser avaliada por um psiquiatra o mais breve possível, para assi a medicação antipsicótica ser logo prescrita. Quanto mais cedo esse tratamento ocorrer, maiores são as chances de recuperação, pois menor é o número de lesões cerebrais que o surto proporciona, o que é nítido quando se estudam os trabalhos científicos de ressonância magnética do crânio de pacientes com esquizofrenia.

Diagnóstico precoce significa tratamento instituído rapidamente e maior chance de recuperação.

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