As férias não melhoram a depressão

Todo mês de janeiro, um fato curioso se repete no consultório: várias pessoas procuram o me procuram pela primeira vez com queixas de depressão. Bom, esse não é o fato completo. O que acontece é que muitas pessoas tiram férias em janeiro e são justamente as férias a grande esperança daqueles que já passaram boa parte do ano anterior sentindo um aperto estranho no peito quando acordam de manhã, e junto a isso aquela vontade de ficar algumas horas a mais na cama e não ir trabalhar, e só com uma dose extra de esforço é que se consegue levantar-se, arrumar-se e sair para a rotina diária, mas invariavelmente se chega atrasado alguns dias. Se fosse só isso, vá lá, dava até para aguentar. Mas além de sentir aquele aperto no peito e a vontade de não ir trabalhar, há aquela intolerância, irritação, a falta de paciência para lidar com os outros, o que torna os dias bem mais desagradáveis, donde se conclui que o melhor mesmo é ficar longe de todas as pessoas.
Sim, essas sensações são muito estranhas e decerto desagradáveis, mas o pensamento comum é que sempre há um motivo para estar-se assim e, claro, o trabalho é frequentemente o maior vilão. Afinal de contas, é o serviço diário, puxado, cansativo, que leva ao estresse, palavra que creio seja relativamente nova, não sei com que frequência nossos pais e avós costumavam se referir a ela, mas que tem servido para justificar a falta de disposição no dia a dia, o sono ruim, a irritação, o cansaço físico constante.
Aí tem quem pense: “calma, janeiro está logo ali, o que eu preciso são férias, vou fazer aquela viagem, pegar aquela praia e pronto, tudo vai estar bem depois de alguns dias de descanso”.
A esperança de que com as férias as coisas vão melhorar se dissipa tão logo se volta da praia e se constata que tudo está do mesmo jeito: a angústia, a apreensão, a falta de sono, a falta de vontade para fazer aquelas coisas que antes costumavam ser tão divertidas. É nesse momento que a pessoa se dá conta que talvez não seja o estresse a justificativa de todos os males. É ao voltar das férias que ela percebe que a solução para o que ela está sentindo não está em alguns dias de descanso à beira mar, que a origem do seu desconforto não está no trabalho e sim em alguma coisa que se origina dentro de si, e certamente a pessoa até já desconfiasse disso, que o problema estava consigo mesmo, que poderia ser uma doença, mas, cá entre nós, isso é muito difícil de se admitir. Eis que a pessoa, enfim, procura um psiquiatra, pois esse problema tem nome, chama-se depressão. Muitas vezes a depressão não tem nada a ver com o que as coisas que estamos vivendo (e é por isso mesmo que ela é uma doença). O mais importante de tudo é ela tem tratamento, tem solução.
Dessa forma, se esse mês de janeiro de 2014 que está por se acabar não foi tão bom quanto se esperava que o fosse, o tratamento adequado da depressão pode garantir que janeiro de 2015 (e o ano de 2014) o será.

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1 Comment

  1. Honorine 3 de março de 2016 at 22:49

    Jajajajaja, si, ya, ya se que era pq estaba todrcia, pero pensaba q era a proposito, hombre!! Q ya la habias tomado con la idea de ATRAPARLA de nuevo en un encuadre recto.Sea como fuere, mantengo mi opinion del efecto. Mola!