Catherine Zeta-Jones é bipolar

Semana passada, a atriz vencedora do Oscar deu entrada em ua clínica para o tratamento de um quadro psiquiátrico que deve parecer estranho à população geral.

Segundo informações da imprensa, a galesa Catherine Zeta-Jones tem o diagnóstico de transtorno bipolar tipo II.

Transtorno bipolar era o que antigamente se conhecia como psicose maníaco-depressiva (este “maníaco” nada tem a ver com o que as pessoas em geral designam com este adjetivo), chamado agora transtono afetivo bipolar (TAB, no jargão psiquiátrico), caracteriza-se por alternâncias patológicas de fases de humor ao longo da vida. O comum desses casos é a pessoa ter fases de depressão, isto é, humor deprimido, falta de ânimo, perda de prazer, que podem durar semanas a meses (até anos), períodos de humor normal, e fases de inquietação, ânimo elevado, euforia, diminuição da necessidade de sono, comportamentos de risco, como aumento do consumo de álcool e gastos excessivos, quadro ao qual designamos mania ou hipomania. O que diferencia o TAB tipo I e o TAB tipo II é que no primeiro a pessoa apresenta um quadro clínico mais grave, em que advém as famosas “ideias megalomaníacas”, quando a pessoa se considera rica, famosa, e nesse contexto temos os famosos “Napoleões”. Geralmente, são esses os pacientes que precisam de internação. No TAB tipo II, essa fase de humor elevado é menos intensa e a ela damos o nome de hipomania. A pessoa não chega a ter as ideias de grandeza, mas pode ter um quadro de ânimo elevado, aumento da auto-estima, pouca necessidade de sono, aumento da necessidade de falar, tem o pensamento acelerado (como se sempre estivesse passando alguma coisa pela cabeça). Muitas vezes, esse humor tem sempre tem uma conotação positiva, podendo estar presente não uma euforia, mas uma irritação muito grande, uma raiva mesmo que pode provocar explosões de agressividade “por qualquer coisinha”.

Às vezes, o diagnóstico de uma fase hipomaníaca pode ser difícil, poisa pessoa pode achar que essa fase pode ser algo normal ou um jeito de ser próprio. Geralmente, quem tem TAB II não o sabe e só vai ao psiquiatra na fase depressiva, essa sim encarada como algo anormal.

A importância do diagnóstico correto e da identificação de episódios de hipomania em quem sofre de depressão é importantíssimo, pois o direcionamneto do tratamento é diferente para quem tem “apenas” depressão e para quem tem depressão e é bipolar II.

A divulgação do tratamento da atriz mundialmente conhecida lança luzes às pessoas sobre uma doença pouca conhecida por elas e ajuda, certamente, em sua desmistificação.

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