Dia de Drummond

Hoje, 31 de outubro, celebramos os 110 do grande poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). É por isso que comemoramos hoje o Dia D. Dia de Drummond.

A lembrança da data especial é um incentivo para que todos rememorem e festejem esse grande escritor. Neste momento, em várias cidades do Brasil, ocorrem seminários, palestras e filmes em homenagem a Drumond e todos os brasileiro somos convidados a ler e a recitar alguma de suas tantas poesias.

Eu quero dar a minha singela contribuição ao Dia D deixando aos leitores uma poesia de Drummond. Como sou psiquiatra, escolhi publicar uma cujo tema esteja mais próximo à Psiquiatria. Claro que como a Psiquiatria e a Saúde Mental lidam com tudo o que é humano e uma das expressões mais pungentes do humano é a poesia, eu poderia dizer que grande parte da obra do poeta caberia de alguma maneira a algum estudo psiquiátrico.

O poema que escolhi se chama Tristeza no Céu, que, como diz o título, fala deste sentimento tão comum na vida normal como em um determinada doença chamada depressão.

 

Tristeza no Céu

No céu também há uma hora melancólica

Hora difícil, em que a duvida penetra as almas.

Por que fiz o mundo? Deus se pergunta

e se responde: Não sei.

 

Os anjos olham-nos reprovação,

e plumas caem

Todas hipóteses: a graça, a eternidade, o amor

caem são plumas.

 

Outra pluma e o céu se desfaz.

Tão manso, nenhum fragor denuncia

O momento entre tudo e nada.

Ou seja, a tristeza de Deus.

 

Carlos Drummond de Andrade

in: [José]

Carlos Drummond de Andrade

Poesia Completa – Editora Nova Aguilar

p. 102

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