Dúvidas sobre a clozapina

Há muitas dúvidas no público em geral sobre os efeitos da clozapina e os riscos do seu uso. Recentente, a mãe de um paciente me mandou um email com questões a esse respeito. Como muitas pessoas têm as mesmas dúvidas, vale a pena compartilhar com todos as minhas respostas.
Ela diz que o seu filho, chamado L., está tomando quetiapina 800 mg/dia, carbamazepina 400 mg/dia, sertralina 50 mg/dia, clonazepam 2 mg/dia e o psiquiatra que trata de L. quer mudar o esquema medicamentoso para a clozapina, pois ele continua muito agitado, fala sozinho, pensa que alguém pode vir matá-lo. Antes do esquema medicamentoso atual, outros remédios foram tentados, mas sem muita diferença em realação ao quadro atual. Ela questiona sobre a real eficácia da clozapina no combate aos sintomas de esquizofrenia do seu filho e sobre a segurança dessa medicação quando administrada a outros remédios.

A clozapina é a indicação precisa para os pacientes que têm esquizofrenia que, mesmo quando tomam doses adequadas de antipsicóticos, continuam sofrendo com os sintomas da doença. No caso do filho desta senhora, ele já está tomando uma dose adequada da quetiapina, que é um antipsicótico da nova geração. Mesmo assim, ele tem sintomas psicóticos, agitação psicomotora e, como já tomou outros antipsicóticos, não há melhor opção no momento do que introduzir a clozapina. Pois a esquizofrenia do rapaz é refratária e nesse caso não adianta trocar para outros tipos de medicação que não a clozapina.
A clozapina é bastante segura quando administrada com outras medicações. No caso de L., ele está tomando outras medicações que acredito estejam sendo utilizadas para aumentar o efeito da quetiapina. Com o uso da clozapina, é provável que essas outras medicações não precisem mais ser utilizadas. A carbamazepina é uma das medicações que têm que ser interrompidas antes de se iniciar a clozapina. Isso porque os efeitos colaterais das duas medicações podem se somar e assim facilitar o aparecimento da leucopenia, que é a redução dos glóbulos brancos do sangue (não tem nada a ver com leucemia).
Certamente, creio que o psiquiatra que acompanha L. está correto ao pensar em mudar as suas medicações para prescrever a clozapina.

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