Esquizofrenia não é sentença, é apenas uma doença

Garota em frente ao espelho - Pablo Picasso, 1932A matéria abaixo, “apenas 1 em cada 4 esquizofrênicos recebe tratamento”, foi publicada no site Uol Notícias por Fabiana Marchezi, em 9/10/15

O casamento ia bem. As duas filhas cresciam saudáveis. No trabalho, as coisas estavam prosperando. Até que no final de 1995, sem motivo aparente, o marceneiro V*, 51, começou a ouvir vozes que o mandavam mudar-se para debaixo de uma árvore. A família demorou para convencê-lo de que ele tinha casa, esposa e filhas para cuidar. Até que depois de horas de muita conversa, ele aceitou sair debaixo da árvore e buscar ajuda médica.

Na clínica psiquiátrica, aos 31 anos, V recebeu o diagnóstico. Ele é um dos 1,6 milhão de brasileiros diagnosticados com esquizofrenia, um transtorno mental potencialmente grave que decorre das alterações do funcionamento do cérebro e que provoca, entre outros sintomas, a mudança da percepção da realidade. Este número é de uma pesquisa da Deloitte Access Economics, divulgada em 2013. Desses 1,6 milhão de brasileiros diagnosticados, 412.545 fazem tratamento (cerca de 25%).

Segundo uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (9), realizada pelo Ibope a pedido da farmacêutica Janssen, apenas metade da população que tem esquizofrenia é diagnosticada. Foram entrevistadas 2002 pessoas na pesquisa. Destas, 68% concordam que a maioria das pessoas não deixaria uma criança aos cuidados de um indivíduo que tivesse o transtorno. Além disso, 20% da população brasileira desconhece a esquizofrenia e dos 80% que a conhecem, metade acredita que a doença incapacita uma vida normal.

Foi o que aconteceu com a família do marceneiro. Os parentes, desinformados, achavam que ele nunca mais ficaria bem para cuidar da família e ainda tinham medo de que ele fizesse mal às filhas. Mas a situação foi totalmente controlada alguns dias depois, quando ele deu início ao tratamento com medicamentos e as alucinações, os delírios e os medos – principais sintomas da doença — foram ficando para trás. “Todos reconheceram que basta seguir o tratamento para que as crises nunca mais apareçam”, disse a esposa, que também não quis se identificar.

Para o psiquiatra e professor de medicina na Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo) Rodrigo Bressan, faltam esclarecimentos e informações adequadas sobre a doença e grande parte da população ainda a enxerga como um tabu. “A esquizofrenia é um diagnóstico, não uma sentença. O tratamento adequado e contínuo ainda é a melhor forma de prevenir a progressão da doença e minimizar os sintomas, permitindo que o paciente mantenha uma vida ativa”, afirma.

“Diagnóstico precoce e tratamento adequado e contínuo são condições fundamentais para minimizar os impactos à qualidade de vida do paciente”, completa Bressan.

Porém, dez anos após o início do tratamento, cansado de tomar os medicamentos, V decidiu que estava bem e que poderia interromper o tratamento. Foi quando os sintomas voltaram. “Eu achava que tinha alguém me perseguindo, que alguém queria me matar e fui me esconder”, relatou. V passou a noite inteira escondido dentro de um buraco até ser achado e retomar o tratamento. Dias depois, tudo voltava ao normal.

Hoje, vinte anos depois do primeiro surto, V leva uma vida normal. Trabalha, sustenta a casa, tem um casamento saudável, quatro filhos e uma neta. “Ele é a pessoa mais tranquila que eu já conheci. Pra falar a verdade, eu nem lembro que passamos por tudo aqui”, completou a esposa.

Para V, o apoio da família e a forma de vencer o preconceito imposto pela sociedade foram fundamentais para sua completa estabilização. “Sei que se eu interromper o medicamento posso voltar a ter o surto, mas tenho consciência de que não posso parar e ponto final”, comentou V. Segundo os familiares, V é uma “pessoa sensata, calma e amorosa”.

Para ele, não há dificuldade no diagnóstico da doença. “O desafio está na demora para buscar ajuda médica e no tratamento. O paciente e os familiares têm preconceito e demoram para buscar ajuda psiquiátrica. Eles têm dificuldade de entender que o transtorno é totalmente controlável”, concluiu.

*V não quis ter a identidade completamente revelada

 

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5 Comments

  1. keity 17 de outubro de 2015 at 21:00

    Meu Deus isso é incrìvel, hà cerca de uns seis anos atràs minha mãe foi diagnosticada com a doença, e isso mudou completamente a minha vida e da minha famìlia. Desde então nòs sofremos com isso,e ñ sabemos lidar direito com a situação. Desde então minha mãe nunca pode ser tratada adequadamente, agora hj faz um mês q ela està numa uti por ter sido atropelada por um carro q vinha em auta velocidade, e o propòsito dela era salvar a vida de um pássaro q estava no meio da rua e ñ conseguia vooar sozinho.

  2. Sheila Christine 6 de março de 2016 at 19:28

    Sempre ouvi dizer que a esquizofrenia é uma doença degenerativa do cérebro. É como se a pessoa aos poucos fosse desaprendendo as coisas ou ficasse demente. Até que ponto essa informação procede?

  3. Cristiana Castro 28 de maio de 2016 at 04:00

    Nasci com hidrocefalia e operei dezesseis horas fe nascida e não foi colocado nada.e na escola ficava isolada de todos num canto pra resumir ja me diagnosticaramu Laos 11anos com depressão bipolar. Transtorno de ansiedade sempre fui reservada sem querer sair. E eu quis ser internada em vassouras e minha irmã estava internada la e quis também pois estava numa profunda depressão e quando minha mãe faleceu eu comecei a ter visões para falar a verdade desde criança via vultos quando olhava pro teto e nem tinha ideia achava q era normal o mim era. E nunca contei isso o ninguém para nenhum psicólogo porque o.mim era normal 5,6anos e quando minha mãe morreu comecei a sonhar com ela me mandando recado o eu cuidar do meu pai e ter dellírios mania de perseguição ate um dia de madrugada acordei meu pai e falei e ele no comeco nem levou a serio sei que uma vez so porque eu falei q eu tava apaixonada pelo meu ex psiquiatra ele me internou com diagnostico de bordeline e fiquei na clinica um bom tempo tomando clopksol de quinze em quinze dias e eu fui num clínico amigo dele e me apaixonei novamente e ai comecei a me cortar eu sentia prazer e dor mas p chamar atenção do meu pai ficou tão sério que escrevi o nome desse clínico com faquinha no meu braço e ai que meu pai violento como ele era me pegou com me levou o p clinica San Roman era de madrugada mas foi alguma coisa assim mas não tinha vaga e fui para outro lugar meu pai falou com o médico como se fosse eu.sei que fiquei na bio uma semana ou duas ai fui pra clinica da gavea daí fui pra clinica da gavea onde também fiquei internada pois meu ex psiquiatra que falei q era apaixonada me afastou do amigo dele o clínico tal q ja falei e ai fiquei la.todas as vez es q fui internada saía com voltade de fazer o que eu vi na primeira clinica que fui internada de cortar pulso me alto flagelar ficava pior e ai meu pai conseguiu me internar numa clinica durante sete anos e ai fui diagnosticada com transtorno de personalidade esquizoide. Pois bem meu pai faleceu e minha irmã me tirou da clinica q meu pai deixou a parte dele o mim e aminha irmã tem desde os onze problemas com drogas e se alto flagela surta mistura tudo ou seja ela e minha tutora ela tenta se jogar ficar pendurada na janela do lado devfora hoje onde a gente mora tem tipo ‘ uma grade e ela adora ver aquelas coisas de pai matando filha no Discovery esse tipo de programa e a senhora acha q eu nao tenho medo que ela faça alguma coisa contra mim eu e a moça que trabalha aqui desde eu tinha 10anos e minha irmã e emais velha quatro anos a mais ela desde novembro nao me da dinheiro não faço psiquiatra ameaçou três vezes me internar num hospital público não tenho mais tratamento ela e o cara que mora com a gente ela da tudo para ele.até ele bate nela.isso q eu tenho que aturar e a moca que yrabalha aqui nao se mete. E por fim to aqui no Google sempre pedindo ajuda faço terapia aqui na Pracinha sem eles saberem ja pedi a eles neurologista desde novembro e psiquiatra sendo que ela cortou meu convênio da Unimed e fez pro cara meu cunhado e me ajude o dr Bruno psicologo atual falou q só vai me atender novamente quando eu for no psiquiatra quintamarquei uma psiquiatra as quatro horas vê se eu vou a moca que trabalhal aqui sabe de tudo e fica queta as vezes eu me sinto em cárcere. Preciso de fazer exame de sangue ginecologista neuro e psiquiatra

  4. Cristiana Castro 28 de maio de 2016 at 04:05

    Me ajude as pessoas precisam saber o q eles estão fazendo isso é crime ter meu dinheiro para comprar pó ela tem e falar que minha família parentes não me quer e fácil .

  5. eliete da silva leite santos 21 de julho de 2016 at 19:28

    Boa noite, Dr. tive na semana passada um surto psicótico, fiquei 5 dias sem dormir,e o surto durou2 dias não sabia que estava dependente de clonazepam, mesmo asssim preciso fazer tratamento psiquiatrico e preciso também de um psicologo, tive em 2011um avce ait esquêmico sou muito ansiosa em ler livros e queria terminar uma faculdade que comecei de psicologia na ung, minhas condições financeiras e pesssoais foram deixando-me abater com tristezas e complexo de inferioridade, desculpe o sr dissse para mim comentar e eu estou um pouco confusa amei a matéria dada pelo video e as esplicações para cair por terrra muitos preconceitos da saúde mental e do profisssional em si psiquiatra ja pensamos e asssociamos a locura e a dependencia hipocondriáca de medicações faixa preta (dopagem) a tamanha falta de cultura e ser leiga em asssuntos que no cotidiano deveriamos ter em nossa sociedade educacional obrigada pela sua orientação. sucesso. Eliete