Mapeamento da esquizofrenia

Um grupo de pesquisadores brasileiros está pesquisando os fatores associados ao aparecimento da esquizofrenia na região de Ribeirão Preto-SP.

Esta equipe de estudiosos da esquizofrenia, que envolve professores e pesquisadores da USP da capital paulista e de Ribeirão Preto, vai analisar todos os pacientes que desenvolvem esquizofrenia a partir do seu primeiro episódio psicótico em vários aspectos diferentes, desde aspectos sócio-demográficos (sexo, idade, nível de renda e escolaridade), o uso de substâncias, como a maconha, até aspectos genéticos. Daí dizer que se trata de um verdadeiro mapeamento da esquizofrenia.

O primeiro episódio psicótico marca o início da doença esquizofrenia, pois é quando vão surgir os primeiros sintomas que definem a doença, isto é, as alucinações e os delírios. Geralmente, o primeiro contato que as pessoas que estão desenvolvendo esse quadro vão ter com a psiquiatria é através do pronto-socorro. A ideia é que as pessoas que procurem os pronto-socorros de Ribeirão Preto e entorno sejam encaminhados para essa pesquisa.

Como a esquizofrenia é uma doença que chamamos de multifatorial, pois não há uma única causa específica para o seu surgimento que possa ser identificada, e o que sabemos é que há uma série de fatores que estão mais associadas ao seu aparecimento, como herança genética, migrações, recursos sociais escassos, uso de drogas, em especial a maconha, esse estudo vem em muito boa hora. Quem sabe assim não possamos destrinçar melhor quais são as circunstâncias que mais favorecem o aparecimento da esquizofrenia, pois, em última análise, isso será um meio de identificar os casos de maior risco de desenvolvê-la (talvez algum gene específico, talvez o uso de maconha associado a algum gene específico ou a alguma determinada situação social), para daí agirmos preventivamente, impedindo até o surto psicótico.

Enfim, fazer esse estudo no Brasil também vai nos mostrar se os fatores relacionados ao surto psicótico e à esquizofrenia em nosso país são os mesmos dos outros lugares em que estudos semelhantes estão sendo ou já foram realizados.

Agradeço imensamente a Suze Valencia Sakai por ter compartilhado comigo esta notícia. Ela é do jornal “A Cidade”, de Ribeirão Preto.

 

Esquizofrenia será mapeada em Ribeirão e região

Fatores genéticos e influência social serão estudados; trabalho é desenvolvido em parceria com a Europa

Mariana Lucera

Foto: Tiago de Brino / EspecialPesquisa será realizada por equipe da USP de Ribeirão PretoPesquisa será realizada por equipe da USP de Ribeirão Preto

Um estudo desenvolvido na USP de Ribeirão Preto e de São Paulo vai mapear a esquizofrenia e outras doenças psicóticas em Ribeirão e região. O objetivo é trabalhar a incidência dos transtornos psicóticos e avaliar os fatores sociais e genéticos que levam ao aparecimento da doença.

A psicóloga e gerente do projeto, Silvia Tenan, diz que fatores sociais, exposição de adolescentes à maconha e migrações internas, além da vivência em região urbanizada podem contribuir para o surgimento da doença.

Paulo Rossi Menezes, um dos coordenadores da pesquisa e professor da faculdade de medicina da USP de Pinheiros diz que na região de Ribeirão a rede de serviços está centralizada e articulada, o que ajudará na pesquisa. “O controle pode ser melhor e a diferença entre os municípios é menor e, em algumas cidades, ainda há pessoas vivendo na área rural”, explica.

Pesquisa internacional
Segundo os pesquisadores da USP, o projeto de pesquisa faz parte de um consórcio de universidades europeias que integram a European Network of National Schizopçhrenia NetworksStudiyng Gene-Environment Interactions (EU-GEI).

A coordenadora do projeto, Cristina Marta Del Ben, diz explica que a pesquisa vai ocorrer de forma paralela a rede de assistência. Os casos novos precisam ser encaminhados para a equipe. “É preciso que os profissionais da região entrem em contato com a gente e vamos trabalhar paralelamente as práticas assistenciais”, explica.

De acordo com Cristina, o campus vai passar a ter um ambulatório especializado para estudar as “primeiras crises”, que geralmente são as mais graves e que tem grande índice de internação. “Vamos captar os casos e investigá-los”, diz.

Ao longo dos três anos de pesquisa serão avaliados cerca de 300 pacientes, além de irmãos desses pacientes e um grupo de controle, composto por mais 300 pessoas. “Vamos precisar de voluntários da comunidade para esse estudo para poder comprar pessoas que vivem nas mesmas condições sociais e de risco, mas não desenvolveram a doença”, explica.

Paulistanos tem menor problema que os europeus
O médico Paulo Rossi Menezes participou de um estudo semelhante em São Paulo que identificou a incidência da mesma doença na capital paulista é menor do que em países europeus. “Em São Paulo identificamos 15 casos novos para cada 100 mil habitantes por ano, enquanto em Londres, por exemplo, são 40 casos novos por ano para cada 100 mil habitantes”, conta o pesquisador.

Cristina Marta Del Bem diz que em uma pesquisa anterior, onde um ambulatório também funcionou no campus a resposta dos pacientes foi muito boa, com adesão ao tratamento e diminuição do número de internações. “Esperamos resultados semelhantes nesse trabalho”, afirma a pesquisadora.

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