Maus-tratos em centro de psiquiatria

Hoje é 18 de maio e se comemora o dia da luta antimanicomial.

A luta antimanicomial deve ser um movimento que chama a atenção e procura combater as mazelas de uma internação psiquiátrica onde a dignidade humana não é respeitada, e nisso incluímos os maus-tratos aos pacientes, a negligência, a falta de cuidados básicos, já que muitas pessoas internas em instituições psiquiátricas necessitam da ajuda de outros, pois têm dificuldade no auto-gerenciamento. Essa atitudes são as que chamamos de atitudes manicomiais. Enfim, esta é uma luta da sociedade que o movimento antimanicomial encampa.

O grande erro é simplesmente ser contra a internação psiquiátrica como um todo. Assim como para o uso de cada medicamento há-de haver uma indicação precisa, o mesmo serve para a internação psiquiátrica. Ela ocorre não em último caso, quando todos os demais recursos da rede de saúde mental falharam, como atendimento comunitário em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). A internação é para os casos graves em que o paciente está em um grau de perturbação tão grande que pode provocar riscos à segurança dos outros e à sua própria (um paciente muito agitado, influenciado por delírios e alucinações, ou um paciente com intenção de matar-se).

Todos devemos ser contra as atitudes manicomiais que existem em diversos setores da saúde, não apenas na área da psiquiatria. Será que alguns planos de saúde não praticam atitudes manicomiais?

Não diferente do resto da medicina, a psiquiatria necessita de instituições adequadas e acreditadas que possam abrigar o paciente em sofrimento mental grave.

Uma pena que tantos anos depois da largada do movimento antimanicomial, da luta internacional em favor dos direitos humanos e de toda a sua divulgação na impressão e, enfim, estamos vivendo no século XXI!, vejamos notícias como essa que nos fazem desacreditar um pouco que realmente fazemos a diferença…

Retirado de http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/917774-profissionais-denunciam-negligencia-em-centro-psiquiatrico-em-am.shtml, no sítio da Folha de São Paulo.

18/05/2011 – 23h19

Profissionais denunciam negligência em centro psiquiátrico em AM

KÁTIA BRASIL
DE MANAUS

Em evento do Dia Nacional da Luta Antimanicomial, professores e médicos denunciaram nesta quarta-feira negligência na higiene, alimentação e tratamento de 41 pacientes internados no Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, administrado pela Secretaria de Saúde do Amazonas, em Manaus.

Nos últimos seis meses, cinco pacientes morreram, segundo o informativo lançado pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e pela ONG Isat (Instituto Silvério de Almeida Tundis), que realiza projetos de resgate da cidadania dos pacientes.

Segundo a psiquiatra e professora da Ufam Ermelinda Salém, o hospital informou que as mortes foram causadas por doenças do coração.

O caso está sendo acompanhado pelo Ministério Público Estadual. “Alguma coisa está errada, porque são pessoas idosas que necessitam de cuidados especiais”, afirmou.

A médica disse que profissionais que acompanham os pacientes –que têm entre 40 e 80 anos– relataram abandono dos internos, perda de peso, doenças como dermatites e hepatite e perda de dentição.

“São pessoas que a família abandonou. A instituição continua sendo um manicômio”, afirmou.

A lei da reforma psiquiátrica, que mudou a forma de atendimento ao doente mental no país, completou dez anos neste ano. O Ministério da Saúde implantou uma rede de tratamentos alternativos, como os Caps (Centros de Assistência Psicossocial), e residências terapêuticas, que abrigam doentes que passaram por hospitais psiquiátricos.

Em Manaus, as residências terapêuticas não existem. “O Amazonas é o último Estado a dar os primeiros passos para a reforma psiquiátrica”, disse Ermelinda Salém.

A Secretaria Estadual de Saúde disse que não recebeu notificações sobre as denúncias da Ufam e da ONG Isat e que as residências terapêuticas estão em fase de projeto. Quanto às mortes dos pacientes e à acusação de negligência, a assessoria informou que a praxe é abrir um procedimento administrativo para apurar as denúncias.

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