O que é a Síndrome de Pânico?

O Fantástico do domingo 03/03/2013 mostrou mais um episódio da série do Dr. Drauzio Varella, Males da Alma, abordando o tema do Pânico. Aqui vão mais algumas informações sobrte essa questão.

A síndrome de pânico ou o transtorno de pânico é uma doença mental que se caracteriza pela ocorrência espontânea e inesperada de ataques de pânico, que afeta até 5% da população mundial, principalmente entre a segunda e terceira década de vida.

Esses ataques de pânico são períodos de ansiedade e de medo intensos que se acompanham de sintomas físicos proeminentes, como palpitações ou aceleração da frequência cardíaca, sudorese, tontura e vertigem, sensação de bolo na garganta, tremores, formigamentos e ondas de frio e de calor que percorrem os membros. Entre os sintomas psíquicos, há o medo intenso de morrer por ataque cardíaco ou derrame, de ficar louco ou de perder o controle. Tudo o que a pessoa quer nesse momento é sair da situação em que estejam e procurar auxílio. De fato, muitos pacientes chegam ao consultório e relatam que na primeira crise de pânico realmente acharam que estavam morrendo.

Geralmente, esses sintomas têm um início súbito e atingem o seu pico de intensidade em 10 minutos, desaparecendo completamente em um período variável de alguns minutos a até 2 horas.

Se essas crises ocorrem de forma espontânea, isto é, “do nada”, e são recorrentes, levando as pessoas a se preocupar com a sua repetição, aí chamamos esse quadro de síndrome ou transtorno de pânico.

Do ponto de vista biológico, podemos dizer que ocorre uma desregulação do sistema nervoso central e periférico, cujas estruturas respondem de maneira exacerbada à ação de determinados neurotransmissores, como a noradrenalina e a serotonina, combinada com uma ação atenuada do principal neurotransmissor inibitório do seres humanos, o GABA (Ácido gama-aminobutírico), o que acaba gerando sensações de ansiedade intensa sem que haja motivos para tal.

As mulheres têm 2 a 3 vezes mais probabilidade de serem afetadas do que os homens. Em geral, elas são realmente mais afetadas pelos transtornos ansiosos. Ainda não se sabe exatamente a causa dessa diferença entre os sexos. sabe-se que, de acordo com vários estudos, os ciclos hormonais reprodutivos femininos exercem um impacto considerável no curso da síndrome de pânico nas mulheres.

O melhor tratamento para a síndrome de pânico é a união dos remédios com a psicoterapia, principalmente a TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental).

Entre as medicações, as mais empregadas são os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina, como a sertralina e a paroxetina e os inibidores da recaptação da serotonia e da noradrenalina, como a venlafaxina. Também muito eficazes são os benzodiazepínicos, mais conhecidos como tranquilizantes, como o clonazepam (Rivotril) e o alprazolam (Frontal), que tem a vantagem de ter uma ação rápida, e a desvantagem de poderem causar tolerância e dependência. Uma forma comum de se prescrever é a associação de um antidepressivo, cujo efeito pode demorar alguns dias para ocorrer, com um tranquilizante, que pode mitigar de imediato as crises de ansiedade.

A TCC lida com pensamentos mal-adaptativos e incorretos e ensina técnicas de relaxamento e enfrentamento para as crises, minimizando também o medo de novos ataques de pânico.

Com as medicações e a psicoterapia, a maioria dos pacientes exibe uma melhora importante dos sintomas de pânico.

Quando o tratamento farmacológico é eficaz, ele deve continuar por 1 a 2 anos. No entanto, deve-se ter em mente que a síndrome do pânico é uma condição crônica e que pode retornar após a parada do tratamento. O índice de recaída dos sintomas varia entre 30 e 90%, segundo diferentes estudos.

As técnicas de enfrentamento e relaxamento aprendidas na TCC podem ser usadas pelos pacientes que apresentam recaídas, de modo que a medicação pode não ser necessária sempre que houver retorno dos sintomas.

Entretanto, é recomendável se a medicação seja mantida de maneira indefinida se as recaídas forem frequentes e incapacitantes.

O importante é não se retardar o seu tratamento e assim impedir as complicações da síndrome de pânico, como a agorafobia, que é o medo de estar em lugares onde a pessoa tende a evitar estar em situações onde seria difícil obter ajuda. Essas pessoas evitam sair de casa e quando o fazem, precisam estar na companhia de alguém. Nem preciso dizer o quanto a vida da pessoa pode ficar complicada se uma situação dessas se desenvolve.

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