Os famosos e a sua luta contra a depressão

Texto publicado no sítio Brasil Post, órgão nacional de The Huffington Post, em 24/07/2014

Essas 12 pessoas bem sucedidas vão revolucionar seu conceito sobre a depressão

Num mundo em que 350 milhões de pessoas sofrem de depressão, é difícil imaginar como a doença possa ser varrida para debaixo do tapete. Mas para pessoas públicas, sob os holofotes, encarar o mundo com compostura é muitas vezes mais importante do que enfrentar o que acontece internamente.
Ícones cujos rostos aparecem em revistas, jornais e blogs costumam ter dificuldade de lidar com o problema enquanto o mundo está olhando e, para aqueles que enfrentam o problema sozinhos, pode ser ainda mais difícil enxergar a luz no fim do túnel. Mas só porque há dificuldade não quer dizer que seja impossível ter sucesso. Na verdade, como provam as 12 pessoas públicas abaixo, não é apenas possível se desvencilhar da depressão, mas também triunfar sobre ela.

Buzz Aldrin O famoso astronauta que desafiou as probabilidades – e a gravidade – ao pisar na Lua em 1969 com Neil Armstrong lutou contra a depressão e o alcoolismo depois de seu feito inspirador. “Não me lembro de dividir minha dor com amigos homens ou de me abrir sobre a dificuldade que tinha para manter minha vida nos trilhos”, escreveu ele em seu livro Magnificent Desolation (Magnífica desolação, em tradução livre). “No começo o álcool aliviava a depressão e a tornava pelo menos um pouco mais suportável. Mas aquilo acabou se transformando em bebedeiras depressivas, nas quais eu me recolhia a meu apartamento como um eremita.” Depois de tratar a depressão e o alcoolismo, Aldrin tornou-se presidente do conselho da Associação Nacional da Saúde Mental dos EUA.

Owen Wilson Ele pode ter uma personalidade carismática na tela, mas o ator lutou contra uma depressão que culminou numa tentativa de suicídio em 2007. Desde então, Wilson se recuperou do incidente e, apesar de não falar muito publicamente sobre o assunto, seguiu com sua carreira de sucesso, incluindo papéis principais em filmes como “Meia-Noite em Paris” e “Os Estagiários”.

J.K. Rowling A autora tremendamente popular que criou o mundo mágico de Harry Potter tem fãs espalhados pelo mundo desde a chegada do primeiro livro, em 1997. Mas seu sucesso nem sempre foi fácil. Rowling estava com depressão clínica quando escreveu o primeiro livro da série. Com sérios problemas financeiros, seus pensamentos sombrios se tornaram a inspiração para os “dementors”, as criaturas encapuzadas e sem rosto que têm a capacidade de sugar a felicidade humana, disse ela a Oprah em 2010.Rowling buscou ajuda especializada, mas depois teve de lidar com as emoções avassaladoras de estar sob os olhares do público e voltou à terapia para lidar com a pressão. “Tinha que voltar, porque minha vida estava mudando tão depressa – e ajudou muito”, disse ela ao The Guardian em 2012. “Sou muito fã [da terapia], me ajudou demais.”

Sheryl Crow A cantora vencedora do Grammy luta contra a depressão desde que consegue se lembrar – mas, apesar da luta crônica, Crow conseguiu enfrentar a doença e continua a ter sucesso graças a antidepressivos e terapia, de acordo com o Everyday Health.

Ellen DeGeneres É difícil imaginar a apresentadora lutando contra pensamentos sombrios, mas, no começo da sua carreira, a comediante cuja frase favorita é “sejam bons uns com os outros” nem sempre recebeu esse tipo de carinho. Depois que sua personagem na sitcom Ellen saiu do armário, a reação do público a levou à depressão, disse a revista W. Apesar das dificuldades, ela disse à revista que no fim das contas se sente grata pela experiências pelas quais passou:

“Achei que, se conseguisse ser famosa, as pessoas iriam me amar. E aí você tem tudo aquilo, e eu trabalhei tanto para conquistar aquilo tudo e parece loucura mas eu tive a maior e mais maravilhosa bênção, que foi perder meu programa, perder minha carreira inteira, perder tudo por três anos … Mas aprendi a parar e observar as outras pessoas e aprender o que é o julgamento e o que é a compaixão. E aprendi que não só sou forte o suficiente para chegar lá, mas que também sou forte o suficiente para dar a voltar por cima e chegar lá de novo. Como sou sortuda por ter aprendido isso. Custou caro. Eu queria me encolher, entrar num buraco e me esconder para sempre; eu tinha vergonha. É por isso que considero essa experiência uma benção.

Abraham Lincoln Aclamado como um dos mais influentes e inspiradores presidentes da história dos Estados Unidos, Lincoln lutou contra a depressão e a ansiedade durante anos enquanto trabalhava para unir um país dividido. Mas como escreve Joshua Shenk na The Atlantic, apesar da luta contra a doença mental Lincoln foi um grande líder:
“Durante seus três principais estágios – que eu chamo de medo, envolvimento e transcendência –, a melancolia de Lincoln derruba ao chão essa ideia. Em Lincoln temos um homem cuja depressão o atiçava, dolorosamente, a examinar o âmago de sua alma; cujo trabalho duro para manter-se vivo o ajudou a desenvolver habilidades e capacidades cruciais, mesmo que sua depressão se mantivesse assombrosamente por perto; e cujo caráter inimitável encontrou grande força nos insights cortantes da depressão, nas respostas criativas a ela, e um espírito de determinação humilde forjado ao longo de décadas de sofrimento profundo e uma ânsia verdadeira.”

Gwyneth Paltrow A atriz vencedora do Oscar disse à Good Housekeeping que sofreu de depressão pós-parto depois do nascimento de seu filho Moses, em 2006. “Me sentia como uma zumbi”, disse ela na entrevista. “Não conseguia acessar meu coração. Não conseguia acessar minhas emoções. Não conseguia me conectar. Foi terrível.” A pedidos do seu marido, Chris Martin, Paltrow encontrou a ajuda de que precisava, com terapia e exercícios.

Tipper Gore A autora e mulher do ex-vice-presidente Al Gore revelou no fim dos anos 1990 que sofreu de depressão, mas se curou completamente. Gore procurou tratamento médico para lidar com a doença, que teria sido causada por uma acidente de carro quase fatal envolvendo seu filho. “Sei da importância do tratamento das doenças mentais porque me beneficiei dele”, escreveu ela no USA Today. “Quando você chega a esse ponto… você não consegue sair dele com força de vontade, com fé ou com garra. Você tem de procurar ajuda, e foi o que eu fiz. Me alegra dizer que fui tratada com sucesso.”

Art Buchwald Conhecido por sua língua afiada nas colunas que assinava para The Washington Post, o humorista também lidou com a depressão e com o transtorno maníaco-depressivo (hoje conhecido como bipolaridade), que o levaram ao hospital em 1963 e 1987. Ele detalhou a batalha com a doença em uma entrevista a Larry King em 1996, que gerou mais interesse público do que qualquer outra entrevista feita por King até aquele momento. Depois ele falou abertamente sobre a doença numa palestra notável. Buchwald morreu em 2007, de complicações de saúde sem relação com a depressão.

Paige Hemmis A carpinteira alegre e famosa por seu cinto de ferramentas cor-de-rosa e sua personalidade exuberante no programa “Extreme Makeover: Home Edition”, da ABC, nem sempre foi assim. Filmando o programa, Hemmis dormia mal, mas não por ir tarde para a cama. Sua depressão causava insônia extrema, episódios de comilança e acessos de choro, de acordo com a revista People. Depois de consultar um médico, Hemmis foi diagnosticada com um caso grave de depressão. Ela disse à revista que fazer terapia e discutir abertamente a doença a ajudou. “Se eu conseguir fazer alguém acreditar que não é aterrorizante falar do assunto, vale a pena”, disse ela. “É parte de quem eu sou, e tudo bem. Me sinto melhor que nunca.”

Terry Bradshaw O ex-lançador do Pittsburgh Steelers e atual analista esportivo enfrentou batalhas também fora do campo. O integrante do Hall of Fame do futebol americano trouxe a público sua luta contra a depressão depois do seu diagnóstico, no fim dos anos 1990. Com a ajuda de remédios, Bradshaw foi capaz de vencer a doença. “A depressão é uma doença física”, disse ele ao USA Today, em 2004. “A beleza da situação é que existem remédios que funcionam. Olhe para mim. Estou sempre alegre, e as pessoas ficam chocadas de pensar que eu já fui deprimido.”

Doug Duncan O político de Maryland fez da sua luta contra a depressão parte de sua história pública. Duncan, ex-candidato a governador e executivo do condado de Montgomery, disse ao Washington Post em abril que se sente de volta “ao meu eu real” depois de tratar a doença.

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