Palmitato de Paliperidona: Injeção para o tratamento da esquizofrenia

Uma injeção de antipsicótico por mês garante o tratamento da esquizofrenia.

É o que diz hoje, uma reportagem do jornal Folha de São Paulo, na matéria principal do caderno Saúde, página C7.

Sempre que sai na imprensa alguma reportagem ligada a algum novo tratamento, seja na Psiquiatria seja em qualquer outra área da medicina, podemos esperar que nas próximas semanas o consultório seja frequentado por pessoas que nos procuram querendo esta nova modalidade de tratamento.

A reportagem citada fala sobre uma nova medicação para o tratamento da esquizofrenia lançada há pouco no mercado. Trata-se do palmitato de paliperidona (Invega Sustenna®), um antipsicótico de longa ação administrado através de uma injeção no músculo. O fato de ser um antipsicótico de longa ação significa que o seu efeito é prolongado e pode durar semanas, por isso a aplicação das doses do remédio pode ser feita, no caso do palmitato de paliperidona, com uma injeção a cada 30 dias.

A matéria da Folha deu a entender que a fabricação de uma injeção de antipsicótico é uma novidade, o que não é verdade. Os antipsicóticos de longa ação ou antipsicóticos de depósito já existem desde os anos 60. Eles foram desenvolvidos para auxiliar no tratamento daqueles pacientes que não aderem ao tratamento, que não tomam as medicações prescritas por via oral, fato bastante comum em esquizofrenia. Entre os exemplos de antipsicóticos de longa ação e que já estão por aí há muito tempo, temos o enantato de flufenazina (Flufenan), o zuclopentixol (Clopixol Depot) e o decanoato de haloperidol (Haldol Decanoato).

A novidade do palmitato de paliperidona é que ele é antipsicótico de segunda geração, ao contrário dos mencionados acima, que são de primeira geração, quer dizer, são mais antigos. O fato de um antipsicótico ser antigo não quer dizer que é pior que um mais novo, mas quer dizer que a probabilidade de causar efeitos colaterais é bem menor. Se uma medicação causa poucos efeitos colaterais ou mesmo nenhum, certamente uma pessoa que precisa toma-la vai seguir tomando-a.

As medicações de longa ação antigas podem induzir efeitos colaterais como rigidez dos músculos, tremores, lentificação e um aspecto de robotização. Claro que nem todos os pacientes vão ter efeitos colaterais e para esses o uso de antipsicóticos de longa ação de primeira geração é suficiente.

O palmitato de paliperidona vai servir especialmente para os pacientes que não aderem ao tratamento e que tem efeitos colaterais desagradáveis com os antipsicóticos mais antigos. É muito bom que o desenvolvimento da medicina e da psicofarmacologia leve ao surgimento de novos antipsicóticos de longa ação com menos efeitos colaterais. Afinal, essa é uma área ainda carente do tratamento da esquizofrenia.

O lançamento do palmitato de paliperidona é algo que deve ser celebrado.

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