Qual o problema mental de Adriano, o Imperador?

Hoje, mais uma vez, o jogador de futebol Adriano, apelidado de Imperador, está nos noticiários. Só que há muito tempo não são os seu dotes futebolísticos que atraem os holofotes da imprensa. Muito pelo contrário. O titular do ataque da Seleção Brasileira da Copa de 2006 acaba de rescindir o contrato com o Flamengo, sem nunca ter jogado uma só partida pelo clube, desde que foi contratado, após a sua saída do Corinthians. Antes disso, já havia faltado a várias sessões de treino e fisioterapia. Disse a todos que só vai voltar a treinar em 2013.

Acostumei-me a ler e ouvir na imprensa teorias sobre o que explica que um jovem craque de bola, desejado por qualquer equipe de futebol do mundo (a depender de sua forma física), com uma carreira que já lhe rendeu alguns milhões de Reais, possa estar encaminhando assim a sua vida, direto à ruína. A maior parte dos comentários é a respeito de um suposto alcoolismo, o que faz lembrar da sina de alguém muito melhor que Adriano com a bola, Garrincha, que com todo aquele talento morreu jovem e pobre, por causa do vício do álcool. Outros jornalistas falam que Adriano tem depressão e já ouvi comentários sobre as suas constantes oscilações de humor, em que ele é capaz de transitar com muita rapidez entre um estado de humor depressivo e apático para uma agitação e euforia.

Obviamente, sem nunca ter conversado com Adriano, não dá para saber exatamente do que ele sofre. Pode ser até que sejam essas coisas todas de que nos fala a imprensa.

Não é desconhecido de ninguém que Adriano costuma proporcionar festas homéricas na comunidade pobre do Rio de Janeiro em que nasceu e foi criado, a Vila Cruzeiro, regadas a muito álcool. Também é frequentemente visto em baladas. Claro que atitudes como essa não condizem com os hábitos de um atleta profissional, o que explica as raras vezes em que entrou em campo em uma partida oficial nesses últimos 3 anos.

Esse comportamento festeiro, inconsequente, gastador, com frequentes envolvimentos em polêmicas (lembram do caso em que uma garota que estava num carro com Adriano e seu guarda-costas levou um tiro na mão?), junto com informações que me chegam da imprensa a respeito de suas oscilações de humor, me fazem levantar a hipótese de um transtorno afetivo bipolar, que faz com que a pessoa alterne momentos mais ou menos duradouros de depressão, desânimo e falta de vontade, com momentos de euforia, insônia e esbanjamento de dinheiro.

Se for esse o caso, não seria estranho que Adriano também sofresse de dependência de álcool. É frequente que os pacientes bipolares tenham problemas de abuso de álcool.

São só especulações. Mais uma vez, é impossível falar de um diagnóstico sem ter conversado com a pessoa e sem ter detalhes mais aprofundados sobre a sua história de vida além do que é de conhecimento geral (menino pobre de favela que cresceu em um ambiente carente e violento que muito jovem subiu na vida vertiginosamente graças ao futebol sem o devido preparo psicológico – nada muito diferente de tantos jogadores de futebol do país).

O que é certo é que estamos presenciando a ruína de um grande jogador, muito provavelmente devido a um transtorno mental. E o pior é que, seja qual for esse transtorno, parece que Adriano não se mostra interessado em tratá-lo.

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