Suicídio em Hollywood

Tony Scott, à esquerda, com Tom Cruise, no set de filmagem de Top Gun.

Quem tem mais de 20 anos certamente viu ou pelo menos ouviu falar do filme Top Gun – Ases Indomáveis, lançado em 1986. O jovem Tom Cruise, protagonista dessa película, foi lançado ao estrelato após o seu trabalho como o audaz piloto de caças Maverick. Pois bem, o diretor responsável por esse filme e por tantos outros thrillers e filmes de ação, como Dias de Trovão, Um Tira da Pesada II, Incontrolável, O Sequestro do Metrô 1 2 3, faleceu no domingo dia 19 de agosto.

Falo de Tony Scott, um inglês que, aos 68 anos, deu fim à própria vida ao pular da Ponte Vincent Thomas e cair no porto de Los Angeles, numa queda de mais de 60 m de altura.

Não se sabe ainda o que tenha levado esse diretor de sucesso ao suicídio. A família se apressou em negar que Scott sofresse de qualquer tipo de doença clínica que pudesse ter provocado da decisão de matar-se, após informações que davam conta de que o diretor sofria de um câncer cerebral intratável circularam pela internet.

Não há notícias a respeito de que ele sofria de alguma doença mental. A maior parte das pessoas que comete suicídio tem um diagnóstico psiquiátrico, como depressão (responsável por até 50% dos casos de suicídio), esquizofrenia, transtorno bipolar ou dependência de substâncias. Então, é natural supor que Scott sofresse de algum distúrbio mental.

A imprensa divulgou que ele deixou um bilhete aos familiares. É comum que os suicidas façam um bilhete, uma carta de despedida às pessoas queridas.

Uma pessoa famosa que comete suicídio sempre chama a atenção. Podemos imaginar que Tony Scott, como diretor bem sucedido, não passasse por dificuldades do dia a dia que costumam acometer a população como um todo. Não lhe faltava emprego nem dinheiro, era casado, tinha uma família que o apoiava (seu irmão é o também diretor Ridley Scott, responsável por Balde Runner – O Caçador de Androides e Gladiador). O que reforça a tese de que ele estivesse sofrendo de algum transtorno psiquiátrico, muito provavelmente depressão, uma doença que não faz distinção de raça, de credo ou de classe social.

Para quem quiser conhecer mais sobre como os transtornos mentais estão associados ao suicídio, recomendo que assistam o documentário A Ponte (The Bridge, 2006). No filme, o diretor Eric Steel aponta a sua câmera para a famosa Ponte Golden Gate, em São Francisco, na Califórnia. Durante um ano, ele registrou mais de 20 suicídios. Além de filmar as pessoas pulando da ponte, o diretor foi atrás de depoimentos de familiares e amigos dos suicidas para tentar entender os motivos de tal atitude.

(Visited 9 times, 1 visits today)